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Stress infantil


Certamente, o desejo dos pais é que seus filhos tenham sucesso na vida.

Desta forma, em nome deste desejo, constroem uma agenda repleta de atividades para que não fiquem à toa em casa ou presos à televisão, quando a criança, muitas vezes, nem está neuro-fisiologicamente amadurecida para a aquisição de determinadas habilidades.

O excesso de estímulos ou a estimulação precoce podem, assim, produzir um efeito contrário ao esperado, pois como a criança necessita ser amada e reconhecida pelos pais e, portanto, teme decepcioná-los, tenta obter sucesso em todos os empreendimentos.

Esta pressão emocional a que se submete e é submetida, faz com que se frustre e se culpe ao não conseguir corresponder às expectativas parentais, o que pode desencorajá-la a prosseguir e prejudicar a aprendizagem futura, num momento mais propício e de maior desenvolvimento físico e emocional.

A criança tem que vivenciar a infância sem queima de fases, para que possa se sentir segura e confiante nas competências que vai adquirindo, pois cada habilidade dominada, prepara-a para enfrentar a habilidade seguinte.

Cada criança tem um ritmo próprio de desenvolvimento e é fundamental que se respeite sua individualidade.

Se se percebe cobrada em todas as atividades com o mesmo desempenho e dedicação, principalmente no tocante ao resultado final, pode desenvolver sintomas físicos e psicológicos, além do quê, também sentir dificuldade quando, mais tarde, tiver que tomar decisões sobre o que fazer.

Os sintomas vão desde uma intensa ansiedade em ser bem-sucedida em tudo à profunda angústia por sentir como derrota pessoal, incapacidade e fracasso se não obter o sucesso esperado e desejado.

Este estresse emocional pode provocar insônia, pesadelos, grande agitação ou, ao contrário, depressão, vômitos, diarréia, falta ou excesso de apetite e uma insegurança tão grande que até a aquisição das capacidades próprias de sua idade, serão percebidas com muita dificuldade e medo de falhar.

Os pais devem, então, refletir sobre os reais motivos que os levam a tomar estas atitudes de exagero, pois podem estar projetando em seus filhos a responsabilidade de obter sucesso naquilo que foi motivo de frustração sua, no passado.

Podem, inclusive, estar expressando grande dificuldade em manter um contato físico e emocional com eles e, consciente ou inconscientemente, distanciá-los através de cursos e atividades fora do lar.

As crianças têm grande facilidade em assimilar novas informações e demonstram quando sentem preferência, interesse ou intenso prazer por determinada habilidade.

Basta os pais ficarem atentos a estas manifestações e, neste momento, oferecer-lhes a oportunidade de um aprendizado mais aprofundado e específico, de acordo com o desejo delas e não com o seu próprio desejo.

Assim, não adianta colocar a criança numa escola de música antes dos três anos de idade, pois além de não estar capacitada a relacionar sons e notas ou mesmo distinguir instrumentos musicais diferentes, também não demonstrou interesse por esta habilidade.

O aprendizado de um segundo idioma só é adequado a partir do quarto ano de vida, pois até então o cérebro infantil está assimilando a língua materna.

É primordial que os pais compreendam que mesmo quando a criança está à toa, está aprendendo.

Através da brincadeira aprende como o mundo funciona, o que lhe dá subsídios para organizá-lo internamente e poder se sentir segura e confiante.

Adquire, também, noções de espaço, volume, peso e consistência.

Muitos pais evitam que a criança assista televisão, alegando que não existe programação adequada.

Atualmente, há grande preocupação em se produzir programas dirigidos a ela, uma vez que a televisão exerce profunda influência socializante nas atitudes infantis, além do quê, é a primeira janela do mundo exterior e que transmite informações e valores de uma sociedade mais ampla.

Para que a influência possa ser positiva, os pais devem planejar o que seu filho vai poder assistir com antecedência. Desta forma, poderá orientar o adulto que vai se responsabilizar por ele, quando de sua ausência.

Devem estabelecer limites em relação ao tempo dedicado a esta atividade, respeitando os programas favoritos da criança.

Sempre que possível, assistam televisão com ela para que possam expressar seus valores e sentimentos, bem como, explicar cenas que ficaram confusas para a criança ou como os personagens poderiam resolver problemas sem violência.

Finalizando, os pais devem proporcionar a seus filhos condições de aprender de tudo um pouco e isto pode acontecer através de brincadeiras e jogos conjuntos e que incentivem a criatividade, a coordenação motora e a inteligência.

Ler para a criança, contar-lhe histórias, cantar para ela, também são atividades educativas e que promovem um desenvolvimento saudável e, acima de tudo, permitem o contato físico e emocional tão necessário para o fortalecimento do vínculo afetivo paterno-filial.
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Publicado em: 18/09/2002. Última revisão: 24/03/2018
 COLABORADORES 

Ana Maria Moratelli da Silva Rico - Psicóloga
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