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Estresse é menos agressivo nas mulheres


As diferenças de comportamento que atualmente diminuem entre homens e mulheres aparecem com maior intensidade, frente a situações críticas. Esta é a proposta de um estudo desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, sobre a forma como os dois sexos respondem ao estresse.

Graças a análises de diversas pesquisas desenvolvidas em comunidades humanas e animais, os especialistas concluíram que a reação frente ao estresse nem sempre é violenta em todo mundo. Embora seja a resposta mais comum nos homens.

As mulheres, ao contrário, utilizam como ferramenta de defesa a consolidação dos laços afetivos e o contato social.

As conseqüências desta descoberta são tais que poderiam ter repercussão até no fato de que as mulheres são mais longevas do que os homens.

Macacos e Humanos

A evolução e os hormônios explicam a diferença entre homens e mulheres ao reagirem ao estresse.

A professora Shelley Taylor, diretora da equipe que realizou o estudo, diz que "os efeitos do estresse não devem ser observados na atitude 'combate-fuga' como se faz tradicionalmente. Deve-se levar em conta outras variáveis como a proteção dos grupos e o contato social."

Os especialistas consideraram pesquisas desenvolvidas desde a década de 1930 em torno do comportamento humano e relacionaram os resultados com os estudos de interação social em mais de 100 espécies de primatas.

A primeira conclusão foi de que a resposta ao estresse tem sua origem na evolução.

Nos primatas, como chimpanzés e gorilas, as relações de convivência ordenam-se segundo as hierarquias. O macho líder é quem toma conta da comunidade toda e carrega o peso da segurança e bem-estar coletivos. Os exemplares que desenvolvem a força, mais que colaboradores são subalternos e a convivência com eles é escassa.

Por sua vez, o chefe possui um harém de fêmeas sobre os quais tem privilégios reprodutivos. No interior daquele harém há uma relação muito mais fluida que nos outros setores da manada. As jovens recebem ensinamentos das mais velhas e ao mesmo tempo, ajudam no cuidado das crias.

Nos períodos de muita tensão para o grupo, por exemplo, nos tempos de caça ou no ataque de predadores, os machos dominantes têm a missão de atacar e as fêmeas devem se ocupar dos pequenos indefesos.

"Este é um fato - explica Shelley Taylor em sua pesquisa - que tende a se intensificar nos mamíferos cujo período de gestação de crias e a dependência de suas progenitoras é mais longo."

Este comportamento que tem origem na evolução, encontra sustento biológico em um hormônio chamado oxiticina. A oxitocina é gerada da mesma maneira que a Adrenalina, ou seja, pelo organismo quando este enfrenta situações de tensão.

No caso das fêmeas, o efeito é ampliado graças a ação dos estrógenos e inibido pelos hormônios masculinos.

Outros estudos concluem que pessoas e animais com altos níveis de oxitocina são mais calmos, relaxados e menos ansiosos. Em outras palavras, o hormônio induz a condutas maternas e sociais.

Longevidade

O estudo conclui ainda que a maneira de enfrentar as situações de tensão tem incidência na perspectiva de vida das pessoas.

Shelley Taylor apura que enquanto nas mulheres o estresse produz maior relaxamento e cria necessidades de um maior número de relações sociais; os homens experimentam episódios de violência que o podem conduzir a cometer homicídios/suicídio, dependência de substâncias psicotrópicas e a reações cardiovasculares nocivas.

Isto ajuda a explicar os sete anos que em média as mulheres vivem mais do que os homens.
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Publicado em: 01/05/2000. Última revisão: 20/03/2019
 COLABORADORES 

Jornalista Jorge Garrido G. - especial para a Saúde na Internet


Dra. Shelley Taylor - Psicóloga e professora do departamento de psicologia e sociologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles -USA.
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