Saude na Internet    Desde 1998

início > Saúde do homem > O fim do doping tradicional

O fim do doping tradicional


Se ainda existe alguém no planeta que acredite que só treinamento e artigos esportivos de última geração são suficientes para tornarum atleta um campeão, essa pessoa é muito ingênua.

Para ninguém é novidade, que no campo do esporte profissional, é quase impossível atingir-se o êxito por conta própria. O culpado por tudo isso? O famoso doping.

'Dizer que com métodos naturais pode se atingir alto rendimento e ganhar medalhas olímpicas é uma mentira. É tão grande a diferença entre pessoas com e sem dopagem, que torna-se outro mundo', lamenta o especialista em atividade física e fisiologia Jorge Cajigal, que trabalha no Centro para Esportistas de Alto Rendimento (CAR) em Santiago do Chile.

Segundo Cajigal, a causa que leva os esportistas a utilizarem esta ferramenta ilegal pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) é porque 'Hoje é o único jeito de se atingir o máximo de rendimento esportivo. Sem dopagem, sempre haverá desvantagem, devido ao seu aumento de força e resistência de forma impressionante'.

Manipulação Genética

No futuro, não será preciso injetar ou ingerir substâncias proibidas para melhorar o rendimento esportivo. Quem desejar recorrer a dopagem se submeterá a manipulação genética. Esse é o futuro da doping, segundo o presidente da Federação Internacional de Medicina Esportiva e membro do COI, o brasileiro Eduardo Henrique De Rose.

Porém, segundo ele, isto não acontecerá antes de 10 ou 20 anos. 'Antes, enfrentaremos o desafio de Sidney, uma olimpíada onde os atletas vão voar, porém na qual não exitirão muitos casos de dopagem porque os controles serão feitos antes e durante a competição'.

Talvez possa parecer estremecedor, a verdade é que apenas parece ter havido um erro de cálculo em sua afirmação, dado que a genética já começou a entrar no mundo do esporte.

Jorge Cajigal explica que há 10 anos estão sendo desenvolvidos, em laboratório, uma nova geração de hormônios. 'Hoje estes hormônios podem ser obtidos pela clonagem do DNA, ou seja, estão sendo identificados os genes que sintetizam o hormônio e a partir daí se 'copiam' o gene e o guardam para depois ser copiado em série.'

Originalmente, estes hormônios não foram feitos para a atividade física, mas sim com uma finalidade médica. O esporte imitou a técnica e utiliza estes hormônios para melhorar o rendimento. 'É o primeiro passo da investigação genética com o objetivo de aumentar o rendimento esportivo' afirma Cajigal

O esporte da clonagem

Se o assunto da manipulação genética atemoriza, dado que seus limites são desconhecidos, uma afirmação de De Rose preocupa ainda mais: ele não descarta que a longo prazo se realizem clonagens de esportistas de elite 'de modo que poderemos ter onze Ronaldos e uma só equipe de Futebol'.

E embora muitos possam rir com este presságio, a verdade é uma situação bem mais próxima: 'Do mesmo modo que já existem bancos de espermatozóides, onde as pessoas vão e compram características de uma outra pessoa, no negócio do esporte será muito conveniente clonar super esportistas.'

Além disso, como é esperado que daqui a dez anos se conheça inteiramente o mapa do genoma humano, ou seja, todos os genes que temos, se conhecerá também a função e a localização de cada um 'Por exemplo, um bom esportista que não tenha resistência aeróbica, poderá receber os genes adequados para que melhore sua debilidade' explica o especialista do CAR.

'Quando leio sobre a engenharia genética, me dou conta de que a ciência-ficção é pequena demais e o esporte, que é tão bom negócio não vai ficar de fora.' Conclui Cajigal

Antigo Afã

A dopagem, que se apresenta como um problema moderno, é na realidade, bem antigo. No ano de 2.500 (AC) já eram utilizadas ervas para melhorar o rendimento. Nos primeiros jogos olímpicos (800AC) os atletas estimulavam-se untando azeite de oliva no corpo. Depois, juntavam ao azeite, suor, e o pó era vendido a outras pessoas.

O vinho de coca foi utilizado no ano de 1890 por ciclistas. Seis anos mais tarde, na Olimpíada de Atenas eram vendidos compostos de efedrina, cocaína e estricnina.

A partir de 1936 em Berlim, outros compostos foram introduzidos. Assim surgiram as anfetaminas e os esteróides anabolizantes.

Depois da utilização sem medida de doping em Londres de 1946, foi criado uma comissão médica de regulamentação.

No ano de 1968, no México, entra em vigência uma lista de produtos proibidos por esta comissão.

Desde então, todos os ganhadores de provas olímpicas passam pelo controle anti-doping.
PUBLICIDADE


PUBLICIDADE

Publicado em: 01/09/2000. Última revisão: 05/04/2018
 COLABORADORES 

Jornalista Carolina Valdivieso - especial para a Saúde na Internet

Jorge Cajigal Jorge Cajigal - especialista em atividade física e fisiologia. Trabalha no Centro para Esportistas de Alto Rendimento (CAR) em Santiago do Chile.
todos artigos publicados

Dr. Eduardo Henrique De Rose Dr. Eduardo Henrique De Rose é Presidente da Federação Internacional de Medicina Esportiva e Membro do COI
todos artigos publicados