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Esteróides Anabolizantes - Parte II


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Aspectos Históricos:

A história nos mostra que a associação de drogas ao esporte não é recente. A primeira anotação feita com relação ao uso de elementos que caracterizariam uma espécie de doping é referida há mais de 2700 a.C, na China, onde a história documenta o Imperador da dinastia Cheng, Shen-Nunge descreve o efeito estimulante de uma planta local chamada “machung”, que era utilizada por lutadores e desportistas chineses para dar mais ânimo e coragem nas disputas. (De Rose, 1989).

Contudo, desde a Grécia Antiga, tem-se a informação do uso de plantas, ervas e cogumelos com intuito de favorecer o desempenho dos atletas (Murray, 1983; De Rose, 1989). Por volta de 1895, uma mistura usada por ciclistas, contendo cocaína e heroína que era chamada de “speedball” tinha o mesmo objetivo (Voy, 1991).

Na década de 50, iniciou-se o uso de anabólicos esteróides por atletas de países do bloco oriental visando um aumento da força muscular. Em 1960, os esteróides anabólicos vieram a se tornar conhecidos mundialmente, quando o atleta Fred Ortiz se apresentou com um volume muscular incrivelmente superior a seus concorrentes no campeonato de Fisiculturismo conhecido mundialmente na Europa de “Mr. Universo” (Darden, 1982).

Atualmente, o caso mais conhecido de doping por uso de esteróides anabólicos foi o do atleta Benjamin S. Johnson, velocista jamaicano e naturalizado canadense, que foi suspenso nos Jogos Olímpicos de Seul, 1988, ao ser detectado em sua urina a substância proibida stanazolol. O teste anti-doping foi realizado pela equipe médica do COI onde estava participando o médico brasileiro De Rose, atual presidente da FIMS.

Os esteróides e sua ação no organismo

A testosterona é um hormônio secretado pelos testículos que atua no desenvolvimento da massa muscular. Os esteróides anabólicos, substâncias sintetizadas em laboratório a partir da testosterona, são utilizados por atletas de competição como forma de promover um aumento exagerado e desproporcional da massa muscular.

São utilizados em atletas que praticam esportes de potência como: 100m rasos, arremessos, halterofilismo, etc.

Como atuam os anabolizantes ? Eles agem nas fibras dos músculos permitindo que elas retenham mais água e nitrogênio, favorecendo uma maior síntese protéica. Isto fará com que as fibras aumentem consideravelmente de tamanho, e os músculos fiquem mais resistentes e volumosos.

O uso de esteróides em clínica médica é restrito aos casos de osteoporose, fraqueza muscular generalizada e em alguns casos de tratamentos de adolescentes.

Contudo, seus efeitos colaterais, mesmo em casos de controle médico, devem ser estudados com cautela.

Seu uso indiscriminado acarreta: aumento da pressão sangüínea, lesões hepáticas, redução na produção de células espermáticas resultando em perda da capacidade reprodutora, câncer de próstata, entre outros.

Além disso, os anabolizantes produzem uma maior tendência para traumatismos dos ligamentos e tendões, devido ao aumento excessivo dos músculos sem um desenvolvimento correspondente dos ligamentos.

Conclusão:

O uso de esteróides anabolizantes são prejudiciais à saúde e a melhor maneira de se conseguir uma boa massa muscular é o treinamento sem uso de drogas.

Os atletas vêm buscando um aliado para melhorar cada vez mais seu desempenho através do uso de substâncias ergonênicas e isto implica grandes riscos à saúde.

Algumas pesquisas (ACSM, 1990) demonstraram, ainda, que tal prática é de reduzida eficácia na indução da hipertrofia das células musculares, porque os esteróides acabam destruindo áreas de microvascularização desses músculos, além de agredir outras organelas importantes para a síntese protéica.

Os esteróides anabolizantes encontram-se inscritos de tal forma no contexto atlético, que tornam pouco viável uma competição sem a sua participação, devido aos efeitos anabólicos promovidos no organismo, tais como o aumento de força, hipertrofia muscular e ganho de peso.

Resta aos responsáveis da saúde desportiva conscientizar as novas gerações, sobre os malefícios causados pelo uso indevido de tais substâncias, bem como implicações no processos reprodutores de ambos sexos, hipertensão e complicações no sistema cardiovascular.

A prática tem confirmado o resultado pouco eficaz das medidas que são somente punitivas. Não há e nunca haverá droga capaz de aperfeiçoar o potencial atlético de uma pessoa sem pôr em risco sua saúde.

Doping no Esporte:

O doping pode ser classificado como qualquer substância ilícita utilizada a fim de aumentar o desempenho atlético As substâncias proibidas são distribuídas em 5 grupos principais, segundo o COI, Comitê Olímpico Internacional, e são:

1 - Estimulantes
2 - Narcóticos e analgésicos
3 - Anabolizantes
4 - diuréticos e
5 - Hormônios peptídicos e análogos

O uso de doping pelos atletas em todo o mundo está cada vez mais freqüente. E isso apesar de todas orientações médicas em contrário e do rigor das leis de controle de dopagem. No último Boletim da IAAF - July 1996 - Nº 15 (IAAF - News - pag. 10-11), o número de casos positivos foi de 4 testes positivos ICT (In Competition Tests), para 321 testes feitos, e de 2 casos positivos OOCT (Out Of Competition Tests) - Testes realizados fora de competição, para cada 425 testes. O total, portanto, foram de 6 testes positivos, num total de 746 exames feitos. As punições vão desde 3 meses, 1 ano, 4 anos, até a suspensão por toda a vida.

Existe um fácil acesso aos medicamentos e drogas proibidas e muito pouco é coibido o seu uso no meio atlético, mesmo entre médicos e treinadores.

A comissão médica do COI tem uma filosofia básica para prevenir este problema e nesta tratativa procura respeitar a individualidade do atleta e de seu direito a tratamento.

A ética desportiva precisa ser preservada e todas as pessoas ligadas diretamente ou indiretamente ao atleta de competição deveriam ser informadas e orientadas a dissuadir o uso de drogas proibidas pelo COI.

Depois de revisar os aspectos clínicos e todos os danos que o doping causa nos atletas, surge uma questão básica - como proceder para evitar isto?

A educação e esclarecimento por parte dos profissionais da saúde e do esporte parece ser o ponto mais sensível dessa abordagem, um sentido educativo deve vir à tona tendo como ponto de partida a própria orientação e exemplo do técnico.

Os aspectos punitivos do controle anti-doping devem fazer os atletas envolvidos a repensar utilização de drogas e dissuadí-los a tentar novamente. Outro fator importante seria uma ênfase em cada aspecto negativo de cada fármaco - explicando seus efeitos nocivos ao organismo, e mais do que nunca, suas seqüelas por todo o corpo, quer elas de caráter temporário, quer de caráter definitivo.

O COI tem realizado muitas palestras, simpósios antes de eventos desportivos importantes a fim de elucidar os aspectos destrutivos das drogas proibidas em competições. Os próprios atletas parecem estar mais informados sob os danos que estas substâncias podem lhes trazer, até mesmo para sua performance atlética.

Nesse sentido, é que proliferam os congressos técnicos antes de eventos como os Meeting e Maratonas internacionais. Muitos técnicos e atletas estão se aperfeiçoando em seus estudos para traduzir em Educação para a Saúde todo este conhecimento através da Medicina Esportiva, um exemplo disso e o envolvimento do atleta norte-americano Edwin Moses, campeão olímpico da prova dos 400 m com barreiras, que representa os atletas em relação a comissão ética anti-doping.

É verdade que existem vários componentes “out competition” que influem o uso indiscriminado das drogas por jovens atletas - o mais forte deles parece ser o aspecto econômico - a oportunidade que o esporte oferece para os vencedores justifica a máxima de Maquiavel “o fim justifica os meios” - é verdade, somente este ano, na Inglaterra, a IAAF arrecadou mais de US$ 230 mi, em prêmios em dinheiro para distribuir aos vencedores dos Meetings de Atletismo, onde um campeão-geral do torneio recebe, sozinho mais de US$ 200 mil.

Fica fácil admitir que com tais somas os jovens e outros oportunistas do esporte,se sintam persuadidos a tentar uma carreira esportiva usando todos os meios técnicos-científicos para isso.

Nesse ponto, a ética entra em cena e, talvez, caberia, aqui, uma pergunta - qual o real envolvimento dos laboratórios e departamentos de pesquisas farmacológicas com relação a produção de drogas utilizadas para o esporte?

Será que as indústrias de remédios desvinculam seu lucro do esporte ?

Os laboratórios envolvidos apresentam somente seus produtos voltados para a clínica médica, especificamente?


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Publicado em: 01/12/1999. Última revisão: 01/01/2019
 COLABORADORES 
Newton Bittencourt dos Santos Newton Bittencourt dos Santos é graduado em Educação Física e especialista em Medicina e Ciências do Esporte pela UFRGS - Porto Alegre. Filiado à IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador).
todos artigos publicados

 PARA SABER MAIS 
DIRIX, A. e TITELL, K. Olympic Book of Sports Medicine, in (Doping Control in Sports). Blacwell. Londres.1988.