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Corações de laboratório


Uma nova esperança para doentes cardíacos surgiu após um cientista dos Estados Unidos anunciar que em dez anos estaremos em condições de produzir corações humanos.

A pesquisa – que tenta descobrir o método para a fabricação de corações a partir de células extraidas dos próprios pacientes com problemas cardíacos - pretende resolver o problema de escassez de órgãos para transplantes.

“Nossa primera meta é fazer uma peça viva de músculo cardíaco para que o cirurgião possa implantá-la no coração doente. Um coração inteiro virá muito, muito mais tarde”, diz Buddy Ratner, direitor da pesquisa e especialista da University of Washington Enginereed Biomaterials.

Um total de 50 pesquisadores trabalham nos diversos laboratórios dos Estados Unidos e Canadá para desenvolver o projeto que conta com um orçamento de U$ 10 milhões doados pelos institutos nacionais de saúde (NIH) dos Estados Unidos.

A pesquisa

O primeiro objetivo dos cientistas é produzir, a partir de um músculo cardíaco, um tecido que possa aderir ao coração para melhorar seu funcionamento e reparar os tecidos prejudicados.

O passo seguinte será fabricar um tubo ventricular, que fará o trabalho de um cilindro no músculo cardíaco, como válvulas que ajudariam ao coração debilitado bombear sangue. Depois disso, a idéia é produzir um ventrículo e, por último, todo o músculo cardíaco.

Os pesquisadores estudaram formas de produzir células que se desenvolvam e se comportem segundo um padrão determinado. No coração real, as células cardíacas batem todas ao mesmo tempo e fazem possível o bombeamento do sangue.

A ciência já se encontra em condições de produzir células cardíacas, mas o obstáculo atual é que ainda não é possível dizer o modo como elas se desenvolverão e se baterão individualmente.

Pedras no caminho

Embora os testes nos humanos demorem um tempo para serem realizados e muito acontecerá até que se completem os estudos que estão sendo feitos, Ratner adverte que “é algo completamente possível de ser feito... vamos produzir um coração”.

Um dos principais problemas que essas investigações enfrentam é fazer com que o organismo aceita ao corpo estranho, “poderia existir resistência mecânica como resultado, não sabemos ainda. Mas acreditamos que conseguiremos devido ao fato de usarmos tecido cardíaco do próprio paciente para desenvolver um novo”, explica o diretor da pesquisa.

“Acabamos de receber o dinheiro para provar esta pesquisa em animais”, alerta o especialista. “Isto será muito útil já que só existem experiências a nível celular”, conclui.
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Publicado em: 01/07/2000. Última revisão: 25/06/2018
 COLABORADORES 

Jornalista Miguel Valdívia - especial para a Saúde na Internet


Buddy Ratner - diretor da University de Washington Engineered Biomaterials em Seattle, Estados Unidos.
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