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Plástica na adolescência


Nos últimos anos a presença do adolescente está cada vez mais constante nos consultórios de cirurgia plástica.

Insatisfeitos com as características do próprio corpo e influenciados pelas opiniões de amigos e pelo padrão de beleza imposto pela moda, os jovens têm procurado na plástica a resolução dos seus problemas.

Segundo um levantamento encomendado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em 2009, dos 629 mil procedimentos cirúrgicos estéticos realizados no Brasil, entre setembro de 2007 e agosto de 2008, 8% foram feitos em adolescentes.

Um número bastante expressivo que aponta a necessidade de país e médicos abordarem as motivações, os problemas e as consequências das plásticas nesse período de transformações do corpo e da mente.

O cirurgião plástico Tomaz Nassif, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e chefe do Serviço de Microcirgurgia Reparadora do Hospital Federal dos Servidores do Estado do RJ, responde questões importantes sobre o tema.


1) A partir de qual idade a cirurgia plástica é indicada, sem interferir no desenvolvimento? Essa idade varia entre meninos e meninas?

Depende da cirurgia. Se pensarmos em deformidades como o lábio leporino, por exemplo, a cirurgia é feita durante o primeiro ano de vida.

Normalmente, falando de cirurgias de cunho mais estético, as deformidades do pavilhão auricular são as mais demandadas por volta dos 5 anos de idade. É a chamada orelha de abano.

Meninas e meninos, é igual. Já na adolescência, entre os 15 e 18 anos de idade, as cirurgias corretivas do nariz e a lipoaspiração localizada, são as mais procuradas.

Para os meninos, a cirurgia de correção das mamas (ginecomastia – mamas em homens) é bastante comum e pode ser feita com cirurgia ou lipoaspiração, ou ainda pela combinação de ambas.


2) Nos últimos anos foi possível observar um aumento de adolescentes em seu consultório? É possível expressá-lo em números? Existe estatísticas atuais da SBCP?

Creio que as últimas estatísticas, feitas por empresa especializada, contratadas pela SBCP, foram as citadas.

Realmente houve um aumento da procura por jovens adolescentes. Creio que os bons resultados obtidos pelas modernas técnicas e pela lipoaspiração são os responsáveis por isto.


3) A adolescência é a fase ideal para corrigir imperfeições?

As imperfeições devem ser corrigidas assim que começam a causar problemas de relacionamento e da esfera psíquica.

A recuperação nesta fase é muito rápida e existe uma melhor acomodação da pele. Já as cicatrizes, se existirem, são normalmente “piores” do ponto de vista estético, pois tendem a ser mais fortes e podem ficar vermelhas e elevadas por mais tempo.


4) Quais são os principais motivos que levam os adolescentes ao seu consultório? A busca por inserção social é uma causa predominante?

Creio que sim, visto que o relacionamento social é fundamental nesta fase e os jovens são, em geral, muito intolerantes.


5) Quais são os procedimentos mais procurados por meninas e meninos?

Meninas: orelhas de abano, nariz, mamas e lipoaspiração. Meninos: abano, ginecomastia e lipoaspiração.


6) O adolescente exige um tratamento diferenciado? A dinâmica entre consulta e cirurgia é mais demorada?

Existe a necessidade de conciliar o desejo do adolescente com os receios naturais dos pais, que normalmente acompanham os filhos durantes as consultas. Tudo isso, aliado a um cuidado maior em entender e explicar os procedimentos, torna a dinâmica mais trabalhosa e demorada.


7) O aumento da autoestima é um fator determinante na indicação de uma cirurgia plástica?

Sim, desde que o desejo em alterar a imagem corporal ou facial esteja dentro de limites toleráveis, sem exageros e não resultado de uma visão deturpada da imagem anímica.


8) A plástica pode contribuir para o desenvolvimento psicossocial do jovem? O senhor observa isso no seu cotidiano? Há pacientes que mudam de astral e comportamento após a cirurgia?

Com certeza! As cirurgias bem indicadas e desejadas pelo adolescente, quase sempre resultam em uma resposta positiva no comportamento destes jovens. Eles se sentem valorizados pela família e mais bem aceitos pela sociedade e pelos amigos.


9) Existem casos em que a cirurgia não é indicada? O senhor pode nos dar algum exemplo?

Exatamente quando existe um problema na esfera psíquica que leva ao descontentamento crônico com a imagem. Chama-se dismorfofobia ou transtorno dismórfico corporal ou síndrome da distorção da imagem.

E existem casos em que a indicação não é correta, como tentar emagrecer fazendo uma lipoaspiração. Ou ainda, cirurgias que não estão indicadas por conta da idade. Ou seja, numa fase ainda precoce da vida. Exemplo: redução das mamas antes dos 16 ou 18 anos de idade.
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Publicado em: 05/08/2011. Última revisão: 16/02/2019
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Século Z Comunicação - Camila Mendonça
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