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Depressão de final de ano


Festas em que as famílias costumam se reunir para trocas de presentes e afetos, sempre com mesas fartas e uma alegria que o estar reunido lhes proporciona.

São muitos os presentes trocados... desde o amigo oculto, até os carinhos para aqueles que queremos bem.

Como se aproxima um novo ano, é inevitável que neste período as pessoas procurem avaliar a etapa que se encerra, fazendo um balanço das realizações alcançadas, assim como projetando expectativas para os próximos 12 meses.

São marcos que nos ajudam a ter um olhar introspectivo e onde deparamo-nos com o que gostamos ou não em nós mesmos.

As festas, portanto, acabam representando e estando de acordo com o nosso interior.

Tornam-se particularmente difíceis para aqueles que perderam pessoas queridas e próximas, não importa há quanto tempo tenham se dado.

É sempre complicado conviver com o sentimento de que falta alguém quando sabemos ser definitiva.

Cria-se um descompasso entre os sentimentos de tristeza que vivenciamos e todo um clima de alegria que percebemos à nossa volta.

Ao mesmo tempo, a finitude da vida traz-nos a certeza de que, nas festas que foram tão importantes para nós quando crianças e que nos acompanham através das recordações, existiam adultos que, apesar das perdas pessoais, souberam ser generosos o suficiente para não nos deixar perceber.

Assim, pensamos no amor e talvez possa ser este o gancho capaz de nos levar a retribuir àqueles que ainda aguardam ansiosos a magia da chegada do Papai Noel, não importa a idade que tenham.

O melhor caminho a ser percorrido é o de buscar na solidariedade a força que parece não poder inicialmente ser encontrada. Se preocupo-me em estar bem para o outro, estarei fazendo o melhor que posso por mim mesma.

Já que é impossível se desfazer da dor, que pelo menos ela encontre um sentido.

Este sentido pode não afastar a tristeza mas, sem dúvida, terá que ser capaz de nos proporcionar um sentimento de que melhoramos como pessoa.

O que parece um jogo de palavras, na realidade exprime o que os psicanalistas consideram a diferença entre o luto e a depressão.

No luto existe a saudade. Na depressão, esta saudade repercute numa auto estima abalada onde passamos a desvalorizar tanto a vida quanto a nós mesmos, estabelecendo um caminho de incapacidades.

Mas se descobrimo-nos fortes o suficiente para sustentar os valores que verdadeiramente pertencem a estas festas (a solidariedade, a fraternidade, a generosidade, a humildade...), o descompasso cederá lugar à harmonia e as perdas poderão ser embaladas pelo conforto dos ganhos que os recursos internos nos proporcionam, favorecendo o que mais almejamos: a PAZ.
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Publicado em: 29/03/2002. Última revisão: 22/12/2018
 COLABORADORES 

Suzana V. de Paula Neves - Psicóloga e Psicanalista
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