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A Maratona Olímpica (42 Km) e seus riscos à saúde


Um recente estudo publicado na Revista CIRCULATION (2011) feito por pesquisadores do conceituado Hospital Geral de Massachusetts (Estados Unidos) parece que coloca sob suspeita a prática da corrida de longa distância e seus efeitos sobre o organismo humano.

Isto porque os resultados encontrados indicam que corredores de longa distância podem estar prejudicando sua saúde ao se dedicarem a percorrerem longas distâncias, mesmo que estes atletas não apresentem fatores cardiológicos de risco.

Os pesquisadores fizeram ecocardiogramas em cerca de 1500 previamente selecionados, antes e depois das edições da Maratona de Boston (2005 - 2010) e o resultado foi assustador.

Seis em cada dez atletas avaliados apresentaram AUMENTO dos níveis de troponina, uma proteína indicadora de dano às células cardíacas.

Quatro em dez atletas tinham níveis de troponina altos o suficiente para indicar destruição de células.

O mais preocupante, porém, é que nenhum dos atletas avaliados se queixava de qualquer tipo de dor no peito ou mal-estar.

Conclui-se que correr faz bem à saúde mas longas distâncias criam o risco de infarto mesmo para quem não tem problemas cardíacos.

A Maratona é uma overdose de uma atividade, em tese, benéfica.

O paradoxo é que ao mesmo tempo em que as pessoas ativas estão mais protegidas contra doenças cardíacas, quanto mais exercícios se faz, maior o risco de um ataque do coração.

Calcula-se que o risco de fatalidade seja de 1 morte para cada 50.000 corredores por ano, em competições oficiais de Maratonas do calendário Internacional, porém, este número pode ser ainda maior porque mortes ocorridas horas ou dias depois de uma maratona não são registradas formalmente, mas são conhecidas.

Os registros e pesquisas anteriores (1970 até 1990) mostravam que este número era de 1 para cada 300 mil atletas - o que demonstra que a pesquisa publicada no Circulation está mais acurada e mais atletas estão participando destes eventos esportivos sem controle médico.

Vários estudos também feitos por cardiologistas do Instituto Dante Pazzanese na maratona de São Paulo daqueles mesmos anos citados acima, também encontraram achados significativos no eletrocardiograma de atletas que terminaram a maratona, avaliados 1 minuto após completarem a linha de chegada dos 42.195 metros, os achados mostram desgaste do músculo cardíaco.

É preciso avaliar bem a relação entre o risco e o benefício de uma prova como a maratona.

Não existe risco zero na prática de algum esporte de elevada intensidade. Esporte não é vacina nem a avaliação é um seguro de vida.

Ninguém morre com o exercício. O que mata é doença prévia não valorizada ou não sabida, além de abusos físicos. Exagero é fator de risco para o coração, sim.

Por tudo isto, o ideal é sempre fazer uma avaliação médica e cardiológica completa antes de se aventurar a correr longas distâncias ou qualquer atividade física, porque estas avaliações podem mostrar males preexistentes ou desconhecidos ou até mesmo subestimados como malformações do coração, entre outros.

O limite de cada pessoa deve ser respeitado e para muitos atletas este limite para prática de corridas está muito abaixo dos 42 Km.

É preciso preparação física e técnica orientada, ao menos por seis a nove meses antes de um evento de longa distância, e avaliação médica em cardiologia aplicada ao esporte.

Não basta ser avaliado por um cardiologista. Esse médico tem de ser especialista em esporte e ter conhecimento profundo na área para poder liberar a pessoa para uma maratona.

A preparação e a maratona em si também causam importantes em ossos, articulações e músculos.

O corredor pode desenvolver tendinites, fascites plantares e uma série de outros problemas, além de estar sujeito a fraturas por estresse e entorses.

Se o problema se tornar crônico ele provavelmente terá de parar por uns bons meses.

Não se pode confundir exercício para qualidade de vida com alta performance.

O esporte deve ser encarado como atividade de lazer e proporcionar bem-estar. Se virar obsessão perde o fundamento.
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Publicado em: 09/01/2012. Última revisão: 25/04/2018
 COLABORADORES 
Newton Bittencourt dos Santos Newton Bittencourt dos Santos é graduado em Educação Física e especialista em Medicina e Ciências do Esporte pela UFRGS - Porto Alegre. Filiado à IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador).
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