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Os primeiros dentes (dentes de leite)


Um dos aspectos do desenvolvimento infantil que ocasiona algumas dúvidas, entre os pais, é o período no qual irrompem os primeiros dentes.

Muitas incertezas acerca desse período de transição pelo qual a criança passa são comuns entre a grande maioria da população.

Boa parte dos pais nos relatam que, no período próximo à erupção dentária, seus filhos apresentam alterações significativas no comportamento.

Alterações essas, que variam desde uma leve inquietação à inapetência e estados febris.

Diante desse fato, inúmeras são as receitas caseiras e, numerosas as simpatias, que visam tornar menos sintomático para a criança e mais reconfortante para os pais o processo fisiológico da erupção dentária.

A dentição decídua começa a desenvolver-se intra-uterinamente e, seis meses após o nascimento, em média, inicia-se o processo de erupção (irrompimento) dos dentes decíduos, os chamados “dentes de leite”.

A partir dessa época, até, aproximadamente, 24-30 meses de idade, período no qual irrompem os últimos dentes decíduos, algumas alterações são observadas na criança tanto fisiológicas quanto comportamentais.

Inicialmente, as primeiras mudanças são sentidas pelos pais, sendo muito comum, no consultório, relatarem-nos alterações no comportamento do filho como:

- perda de apetite,
- choro insistente, e, aparentemente sem motivo,
- maior irritabilidade,
- inquietação durante o dia,
- intensificação do hábito de chupar o dedo,
- aumento da salivação,
- entre outros.

De uma forma geral, a esses sinais e sintomas, soma-se uma maior preocupação dos pais quanto a saúde da criança, ocasionando maior desgaste psicológico, bem como tornam-se mais freqüentes as visitas ao pediatra.

Nessa fase, a criança procura levar à boca, praticamente, todos aqueles objetos com os quais ela tem contato. E, muitas vezes, essa ação faz com que objetos “sujos”, ou, por assim dizer, contaminados, ou até mesmo as próprias mãos e dedos sejam introduzidos na cavidade oral de forma sistemática.

Cria-se então, um ambiente propício à entrada de microorganismos, os quais poderíamos chamar de “oportunistas”, que poderão levar ao surgimento de infeções intestinais (diarréia) e febre, gerando um quadro clínico de maior gravidade.

Outro ponto importante a ser abordado, quando falamos sobre erupção dentária, refere-se aos produtos comerciais “milagrosos”, especialmente àqueles indicados para serem passados ou friccionados por sobre a gengiva da criança, prometendo alívio imediato dos sintomas.

Por falta de orientação, ou por uma orientação incorreta, os pais são levados a adquiri-los.

É preciso cautela quanto à utilização de tais medicamentos, sendo imprescindível que tanto o pediatra quanto o odontopediatra orientem corretamente os pais quanto aos perigos da auto-medicação, mesmo que esses produtos, aparentemente, mostrem-se “comercialmente” como “inofensivos” à saúde.

Nesse aspecto, cabe a esses profissionais a prescrição, se necessária, de algum medicamento tópico, com o único intuito de minimizar a sintomatologia.

Portanto, é importante fornecer informações corretas aos pais quanto à adoção de um número maior de medidas de higiene, no que diz respeito àqueles brinquedos ou objetos que fazem parte da rotina da criança.

É importante conscientizá-los e, principalmente, tranquilizá-los, pois as alterações observadas são comuns a este período, em particular, do crescimento e desenvolvimento infantis, uma vez que a erupção dentária é um processo fisiológico normal e que, terminado esse período, a criança tende a voltar à “normalidade”.
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Publicado em: 19/06/2002. Última revisão: 12/05/2018
 COLABORADORES 

Dr. Alessandro Leite Cavalcanti - Mestre em Odontopediatria e
Doutor em Estomatologia. Professor da Disciplina de Odontopediatria da UFPB. Professor do Curso de Especialização ABO-PB.

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