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Sindrome do Aviao - Trombose venosa profunda dos membros inferiores


A morte da britânica Emma Cristofferson , 28 anos, ocorrida recentemente num vôo de mais de 20 horas na companhia aérea British Airways, chamou a atenção para o problema.

A causa da morte foi diagnosticada como sendo embolia pulmonar consequente a trombose venosa profunda (TVP) e despertou o interesse de passageiros e empresas aéreas.

Referida em inglês como “deep venous thrombosis” ( DVT), a TVP e suas desastrosas consequências , têm frequentado o noticiário com certa regularidade.

Se por um lado as companhias aéreas andam preocupadas com as ações judiciais das mais de 190 mortes, citadas como responsavel a trombose venosa, por outro, os viajantes estão inseguros e questionam sobre a tal doença, já denominada de “síndrome do avião” ou “síndrome da classe econômica” .


Porque classe econômica?

Essa denominação surgiu devido a doença se manifestar em passageiros que utilizam essa classe de custo mais barato, na qual a pequena distância entre as poltronas os obriga viajar desconfortavelmente com as pernas encolhidas .

Como isso afeta a circulação?

Para entenderms melhor o problema vamos tentar explicar como se processa a circulação sangüínea nas pernas.

O sangue chega até os tecidos através das artérias, bombeado pelo coração.

Depois de nutrir as células, retorna pelas veias até os pulmões afim de ser oxigenado.

Esse retorno nos membros inferiores é realizado pela ação de duas estruturas principais: o trabalho dos músculos das panturilhas – batatas das pernas – que quando em movimento impulsionam o sangue para cima, aliado ao trabalho dos músculos do diafragma durante a respiração, cujo movimento produz gradientes pressóricos no tórax, o qual permite aspirar o sangue para os pulmões.

Quando o indivíduo passa muitas horas sentado, com as perna pendentes e numa posição em que a respiração não é executada de maneira ideal, o retorno do sangue venoso é prejudicado.

Assim, ocorre o que se chama estase venosa, ou seja, o sangue retorna aos pulmões percorrendo as veias das pernas de forma mais lenta.

O médico alemão Rudolph Virchow publicou, em 1859, um trabalho científico no qual indicava que para ocorrer a TVP seria necessário que estivesse presente pelo menos um dos três seguintes fatores : estase venosa, alterações dos componentes do sangue e lesão na parede da veia.

Esses fatores podem agir isoladamente ou em conjunto.

Durante os vôos com freqüência, os passageiros tomam tranqüilizantes e bebidas alcoólicas.

Essa prática induz ao sono profundo e os deixam quase imobilizados, “dependurados “ nas poltronas de forma a favorecer a estase venosa, tanto pela restrição respiratória, como pelas pernas pendentes e encolhidas por um período prolongado.

Nos indivíduos portadores de varizes, essa possibilidade da TVP se potencializa.

Nas classes em que as poltronas são mais inclinadas e as pernas viajam mais esticadas, quase ao mesmo nível do coração, o retorno venoso e a respiração são facilitados, contribuindo por reduzir a possibilidade da doença.

A formação de trombos - coágulos - nas veias das pernas, na maioria das vezes ocorre de forma silenciosa e pouco sintomática.

Outras vezes, podem agudamente se tornar num produto de grande periculosidade, ao deslocar-se das pernas até os pulmões estabelecendo a embolia pulmonar, doença grave e quase sempre fatal.

Quando não, esses coágulos nas pernas podem levar esses indivíduos, a condição de uma outra doença, chamada síndrome pós trombótica e que seria a forma crônica da TVP, provocando inchação, pigmentação escura , varizes e até ulcera na perna acometida.


Como prevenir o problema?

Se as companhias aéreas tornarem a classe econômica mais confortável, já será um bom começo.

Não sendo assim, entre as medidas preventivas recomendadas, estão aquelas que amenizam a estase venosa.

Movimentar as pernas e pés durante o vôo, sempre que se lembrar.

Levantar-se da cadeira e andar pelos corredores, evitar bebidas alcoólicas e tranqüilizantes fortes, viajar com roupas leves, que não prendam os movimentos das pernas, usar meias elásticas, sob prescrição médica, principalmente os portadores de varizes.

Mas, acima disso tudo, se o dinheiro permitir, viajar de executiva ou primeira classe, é óbvio.
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Publicado em: 30/11/2009. Última revisão: 30/01/2018
 COLABORADORES 

Isabela de Assis
ascom@rmcomunicacao.com.br
Ricardo Machado Comunicação

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Dr. Ivanésio Merlo Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular desde l981 pela Associação Médica Brasileira (AMB), Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina.
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