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Exemplos de Comportamento Sexual Compulsivo


» Homem de 38 anos, casado havia 10. Nos últimos três anos refere ter mantido contatos sexuais com cerca de 200 pessoas diferentes. Em um casamento que denominava "aberto", cada qual trazia para casa quem desejasse para fazer sexo. Até aqui temos o lado bom das coisas: sexo, prazer e hedonismo. A questão do comportamento sexual compulsivo o conduz a buscar sexo de modos ansiosos e não apenas pelo prazer que o sexo traz.

No trabalho, antes do horário do almoço, buscava incessantemente nos jornais, algum anúncio que proporcionasse sexo no horário livre que teria para almoçar... ainda estava num esquema que o manteria longe de maiores problemas, a exemplo de assediar sexualmente funcionárias (uma atitude sexualmente compulsiva que a maioria de homens não deixaria passar). Ao retornar do almoço, trabalhava até próximo do final do expediente, retomava o jornal e buscava alguma idéia de como o sexo poderia ser feito antes de retornar a casa e fazer sexo, pela terceira vez, com a esposa.

Novamente, a questão não era o número de vezes que este homem fazia sexo, mas a maneira ansiosa pela qual necessitava buscar sexo tantas vezes no dia. Não interessava com quem fizesse sexo, amiga, prostituta, travesti. Não interessava se fosse sexo oral, anal ou vaginal.

Tentou experiências homossexuais na ânsia de encontrar prazer. O comportamento sexual compulsivo o conduz a ter dificuldades eréteis devido à ansiedade associada ao sexo em sua busca diária. Outro fator que aponta para o comportamento compulsivo diz respeito ao tempo que gastava de pensamento diário com a necessidade de busca sexual; não se trata de pensar em sexo de modo tranqüilo e motivador, mas de pensar automaticamente e de modo a interferir com as atividades cotidianas. A exigência com o desempenho sexual acima de suas possibilidades físicas o levou a buscar tratamento para algo que não deveria ser um problema.

» Mulher de 32 anos, casada havia 11 anos. Com três filhos e retornando aos estudos universitários à época, passou a travar uma batalha entre os desejos compulsivos sexuais e a busca de satisfação sexual no casamento. Com dificuldades de comunicação no casal, relacionamento entremeado por agressões e hostilidades, esta mulher inicia uma busca por prazer envolvendo-se com professores, médicos e pessoas que encontrava no condomínio onde morava ou que lhe prestavam serviços, a exemplo do mecânico.

A ação era mais de sedução e envolvimento emocional, após o que a masturbação solitária e compulsiva se fazia ocorrer. O mecanismo compulsivo aqui de fazia através da masturbação para trazer a calma e tranqüilidade. A condição compulsiva a conduziu a situações complicadas a exemplo de brigas do casal, envolvimentos confusos com vizinhos e comportamento irascível para com amigos e conhecidos.

» Rapaz de 19 anos sem experiências sexuais coitais traz queixas de alta ansiedade e dificuldades de relacionamentos interpessoais. A masturbação era a expressão de seu estado compulsivo. Este comportamento sexual ocorria em média de 6 a 9 vezes ao dia, todos os dias.

Mantinha-se trancado em seu quarto, nu, evitando o contato com irmãs e pais. O comportamento sexual servia para diminuir a ansiedade que vivia, como uma medicação ansiolítica.

Estes exemplos mostram o lado negativo da busca do sexo como fonte de prazer sexual. Nem sempre isto é assim, mas o que estamos apontando é comportamento de base, formatado por processos de pensamento que tornam o tópico sexo em pensamentos automáticos associados à minimização das ansiedades cotidianas.

Todos os compulsivos irão valorizar o prazer obtido do sexo e buscarão isentar-se da responsabilidade sobre os problemas que tem ocorrido em sua vida. A valorização da hipererosia torna-se uma forma de evitarem assumir a responsabilidade por pensamentos sobre os quais não conseguem ter controle, mas que eles mesmos produziram ao longo da vida.

Embora a idéia corrente tenha sempre sido de que sexo compulsivo não traz prazer, nem orgasmos, as pessoas que desenvolvem o comportamento sexual compulsivo sentem prazer e tem orgasmos, possivelmente mais facilmente do que a maioria das pessoas (uma razão é a experiência que permite vivências em maior quantidade, e isto é necessário para melhoria de desempenho de qualquer atividade física...). O prazer sexual obtido também é um elemento muito importante para a manutenção da compulsão.

Outro fator de importância para a manutenção do comportamento sexual compulsivo é a condição da parceria sexual. A eles devemos nos referir como co-dependentes, pois não apenas participam, mas, mesmo involuntariamente, facilitam e auxiliam a manter a condição e compulsão sexual. Na condição de um casamento, o tratamento de um compulsivo depende da participação da parceria, pois caso contrário os resultados serão fadados ao fracasso.

Uma forma de compulsão sexual, geralmente desconsiderada, diz respeito à masturbação. Diferentemente da expressão compulsiva coital ser mais associada aos homens, a masturbação aparece mais, proporcionalmente, para as mulheres quando esta é a expressão da compulsão.

A busca de tratamento geralmente depende de ocorrerem situação de destruição de casamento, família, relacionamentos importantes, trabalho, religião... Isto normalmente ocorre quando não existe o mínimo de sensação de controle e a pessoa já se encontra em caminho sem volta.

Os componentes do CEPCoS que atuam com terapia sexual estão habilitados a atuar no tratamento deste tipo de problema sexual.


Publicado em: 01/02/2001. Última revisão: 05/05/2018
 COLABORADORES 

Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo e Terapeuta Sexual. Diretor Publicações do CEPCoS - Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, organização não governamental afiliada à Associação Mundial, de Sexologia - WAS; Diretor da SBRASH - Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana; autor dos livros "Psicologia e Sexualidade (Editora Medsi) e Objetos do Desejo (Iglu Editora).
Rua Traipu, 523- Perdizes - 01235-000 - São Paulo - SP - Brasil - Fone/fax (11) 3662-3139

todos artigos publicados

 PARA SABER MAIS 
Objetos do Desejo, de Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr.; Iglu Editora: São Paulo;
Psicologia e Sexualidade, de Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr., Editora Medsi: Rio de Janeiro;
"Compulsive sexual behavior: new concepts and treatments", Eli Coleman; IN "John Money: a tribute", The Harthworth Press: New York;