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A desacralização da natureza e a questão do lixo


Você já se pegou no auge de uma manhã de trabalho tomando às pressas um cafezinho, muitas vezes de pé ao lado da lixeira, destino imediato daquele copinho descartável usado por poucos segundos?

É, foi-se o tempo que saboreávamos com prazer um café ou um chá naquela xícara tão gostosa de manusear que alguém especial (quem sabe, a avó ou o namorado/a?) tinha nos dado.

Talvez você esteja se perguntando o que estas lembranças um pouco piegas até, estão fazendo em um texto que se propõe a falar de lixo.

Pois é da mesma forma displicente que nos livramos do copinho de café, que todos os dias descartamos cerca de 1 kg de lixo.

Parece muito? Nossos contemporâneos americanos produzem o dobro e essa é a tendência mundial. Mais urbanização, mais desenvolvimento, mais descartabilidade, mais lixo.

E será que todos os produtos descartáveis que se transformam rapidamente em lixo significam realmente ganhos reais em termos de qualidade de vida?

Será que é por que nos acostumamos tanto com a facilidade de repor o que jogamos fora, que agora acreditamos que tudo pode ser descartado e reposto rapidamente, inclusive maridos e mulheres, namorados e namoradas e até nossos velhos e nossas crianças ?

E para onde vai todo esse lixo? Para o senso comum some magicamente das nossas calçadas e da frente das nossas portas para um destino ignorado. Para técnicos, funcionários e prefeitos de municípios de cidades grandes ou pequenas é um tremendo abacaxi. Muitas vezes um problema sem solução!

Talvez o início de uma solução seja pararmos por um momento para olharmos globalmente a questão, percebendo que o lixo é parte de um todo mais complexo que deve ser reavaliado e que o seu poder didático/transformador não pode ser desperdiçado.

Não sendo considerado fim, mas parte de um ciclo momentaneamente interrompido, o lixo demonstra que todas as nossas ações tem conseqüências e estão integradas ao todo.

O simples ato de abrirmos um copo descartável e de matarmos a nossa sede em alguns segundos, origina um testemunho dessa nossa ação humana: o copo que se transformou em lixo! E esta marca poderá permanecer no ambiente por centenas ou até milhares de anos.

Se, nesse momento, acionarmos o lado direito do nosso cérebro, poderemos revivenciar e lembrar a imensa quantidade de testemunhos que já deixamos nesta nossa tênue passagem pelo Planeta Terra.

Entretanto, a plena atenção aos simples atos do nosso todo-dia e alguma forma de participação na redução, reutilização e reciclagem desses resíduos, nos reaproxima da natureza e nos ajuda a resgatar o sagrado que ela representa.
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Publicado em: 23/10/2007. Última revisão: 16/06/2018
 COLABORADORES 
Maria Lucia Barciotte Maria Lucia Barciotte é Bióloga, Mestre em Biologia e Doutora em Saúde Pública e Ambiental pela Universidade de São Paulo.
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