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Ponto G e outros pontos de interrogação

Publicado em: 01/06/2000. Última revisão: 24/11/2013
Dra. Iracema Teixeira Dra. Iracema Teixeira é psicóloga somático - transpessoal, com especialização em Sexualidade Humana e mestre em Sexologia. Em sua clínica, atende adolescentes, adultos, e também em terapia sexual e aconselhamento conjugal. É coordenadora do Grupo de Mulheres – "Descobrindo o Prazer".
todos artigos publicados

Há bem pouco tempo, questões ligadas à sexualidade feminina passaram a ser discutidas no meio acadêmico e ganharam espaço na sociedade, através da mídia. Porém, como em todo assunto novo, muitos mitos surgiram.

Inicialmente a discussão estava no famoso dilema orgasmo clitoriano X orgasmo vaginal. Freud afirmou que o orgasmo clitoriano era típico de mulheres imaturas e que o vaginal caracterizava uma maturidade sexual. Isso gerou (e ainda gera) algumas aflições – a busca pelo orgasmo vaginal e/ou pela maturidade.

Entretanto, face às várias pesquisas realizadas posteriormente (Kinsey e Masters e Johnson) foi constatado que o mais freqüente é o orgasmo clitoriano e que o vaginal depende de vários fatores, além de ser deflagrado pela manipulação indireta do clitóris.

O clitóris é um órgão extremamente sensível e pode ser considerado como sendo um dos grandes responsáveis pelo orgasmo feminino. Seja pela sua manipulação direta, através do toque manual ou do sexo oral, por exemplo, ou mediante algumas posições sexuais que exercem uma pressão no Monte de Vênus, estimulando o clitóris indiretamente, o orgasmo poderá ser atingido.

Apesar da experiência orgásmica depender da soma de vários fatores – intensidade do desejo e da excitação sexual, a qualidade da interação do casal, a capacidade de entrega às sensações eróticas, dentre outros - não é possível classificá-lo como certo ou errado, maduro ou imaturo. O que importa é vivenciar um orgasmo gratificante, se clitoriano ou vaginal não interessa.

Outro aspecto gerador de aflições diz respeito à tirania do orgasmo, imposta nos dias de hoje. No início do século o orgasmo feminino era considerado como uma doença – furor uterino ou histeria.

Atualmente a mulher que não o tem é considerada problemática; passou a ser obrigação e, com isso, surgiu a busca frenética por ele. A ansiedade ocupou o lugar do prazer. Como se não bastasse, surgiram o badalado ponto G e a ejaculação feminina – não basta ter orgasmo, a mulher tem que ser multiorgásmica, seus orgasmos têm que ser intensos e ainda ejacular. Isso mesmo, ejacular.

Alguns profissionais mencionam a existência da ejaculação feminina. Semelhante à masculina, a mulher liberaria, pela uretra, um líquido durante um orgasmo de grande intensidade, este estaria associado à estimulação do ponto G.

Por volta da década de 60, um ginecologista alemão Ernest Gräfenberg afirmou sobre a existência de uma estrutura na genitália feminina, localizada na parede anterior do canal vaginal, que seria um resíduo de tecido embrionário, com formatos anatômicos diferentes, responsável pela potencialização do orgasmo da mulher e, conseqüente, ejaculação; porém, parece que nem todas as mulheres teriam este privilégio.

Iniciou-se a saga em torno da localização do ponto G, a fim de estimulá-lo com o objetivo de conseguir atingir um orgasmo de maior intensidade.

São pontos bastante polêmicos no meio acadêmico, pois a única evidência é a falta de provas científicas que asseguram a existência, tanto do ponto G quanto da ejaculação feminina.

Existem muitas especulações a respeito, mas não dados seguros. Sabe-se que no homem a ejaculação consiste na expulsão, durante o orgasmo, do sêmem que é composto por uma substância produzida pela próstata e também pelos espermatozóides; esse líquico prostático é alcalino, leitoso, rico em proteínas, colesterol, enzimas, responsável pela cor e odor do sêmem e tem a finalidade de garantir a vida dos espermatozóides.

O que acontece na mulher é bem diferente; quando excitada sexualmente, a vagina fica molhada devido a secreção de um líquido pelas paredes vaginais e por duas glândulas localizadas bem próximas à sua entrada (glândulas de Bartholin). À medida que a excitação cresce o fluxo aumenta, podendo escorrer para fora, principalmente durante o orgasmo. Pode também ocorrer a liberação de uma pequena quantidade de urina, devido as contrações pélvicas durante o orgasmo, tal como nos casos de incontinência urinária de esforço.

Questiona-se, portanto, a veracidade das afirmações sobre a ejaculação feminina, pois, não foi, até agora, encontrada em sua anatomia, uma glândula capaz de produzir o suposto líquido ejaculado.

Para pensar...

Até que ponto está utilizando-se de um modelo masculino para falar sobre a sexualidade feminina? A maioria das mulheres não consegue encontrar o ponto G, muito menos ejacular, gerando, com isso, aflições e angústias. Estaríamos ainda presos a um referencial masculino, sem se apropriar, por conseqüência, do universo feminino?

Ponto G, ejaculações femininas, orgasmos intensos e múltiplos, não seriam tentativas de genitalizar a experiência sexual?

A saúde sexual está na possibilidade de viver plenamente as sensações eróticas que emergem do contato (com tato) físico e emocional entre duas pessoas. A sensibilidade ao toque é extremamente variável; existem centenas de pontos erógenos que se localizam dos pés a cabeça. Em realidade, pode-se dizer que o maior órgão sexual é a pele que, quando explorada com criatividade e cuidado, pode levar qualquer um aos “céus”.

A busca do ponto G pode ser uma adorável brincadeira durante a relação sexual, juntamente com outras que venham a incrementar o prazer. Assim, cabe ao casal procurar entregar-se à experiência do encontro sexual e viver as múltiplas possibilidades de obter prazer e amar.  




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