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Aborto de Repetição

Publicado em: 06/10/2003. Última revisão: 22/01/2012
Dr. Alessandro Loiola Dr. Alessandro Loiola, Médico Cirurgião Geral do Hospital Central de Vitória / ES. Membro Associado da AMIA – American Medical Informatics Association.
todos artigos publicados

Dr. Ricardo Barini - Pesquisador e especialista em infertilidade da Unicamp.
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O que é Aborto de Repetição

O termo “Aborto de repetição” refere-se à três ou mais perdas consecutivas com o mesmo marido.

Atualmente, duas perdas já são aceitas como suficientes para caracterizar o Aborto de Repetição, especialmente quando a mulher possui mais de 35 anos de idade.

Segundo o Dr. Ricardo Barini (Pesquisador e especialista em infertilidade da Unicamp), esta é uma entidade encontrada com certa freqüência em casais que buscam auxílio médico para tratar distúrbios da fertilidade.


Conduta inicial

O Dr. Barini recomenda que, frente a um casal que se encaixe no perfil descrito acima, o clínico geral tome algumas medidas antes de passar o caso ao Ginecologista ou Especialista em Infertilidade.

“Inicialmente”, salienta, “é importante descartar todas as causas que podem ser tratadas sem grandes dificuldades, como diabetes, alterações da tireóide e infecções genitais (como clamídia e micoplasma)”.

Ao especialista cabe pesquisar deficiências da fase lútea e hiperprolactinemia, entre outros.

Ele provavelmente realizará uma histerossalpingografia (estudo do útero e anexos utilizando contraste e raios X) ou histeroscopia (estudo da cavidade uterina utilizando aparelhos para visão direta).

O ginecologista pode fazer 90% da avaliação inicial dos casos de aborto de repetição.

Nos casos mais complexos, aconselha-se envolver um geneticista e um imunologista da reprodução treinado na orientação de exames específicos de auto e aloimunidade.


Causas de Aborto de Repetição e a Síndrome Antifosfolipídica (SAF)

Os Fatores Imunes são a causa mais freqüente, respondendo por cerca de 85% dos casos. Em segundo lugar vem o Fator Hormonal com fase lútea deficiente, seguido pela incompetência ístmo-cervical e Fatores Infecciosos locais (micoplasma, principalmente).

A Síndrome do Anticorpo Anti-fosfolipídico deve ser sempre pesquisada (dosagem de anti-coagulante lúpico ou anticorpo anticardiolipina) – outras causas auto-imunes também devem ser consideradas e investigadas. É recomendável realizar um cariótipo do casal.

Em locais com recursos escassos, os exames podem ser solicitados e as amostras de sangue enviadas para análise. O anticoagulante lúpico, contudo, deve ser processado imediatamente após a coleta, não podendo ser encaminhado.

De acordo com trabalho apresentado pelo Dr. Ricardo Barini no I Meeting Unifert de Reprodução, realizado recentemente em Vitória/ES, a sindrome antifosfolipídica corresponde a 17% dos casos de aborto de repetição. O rastreamento é feito a partir de um teste de coagulação do sangue (TTPA), sendo o diagnóstico complementado pela dosagem de anti-cardiolipina e anticoaglante lúpico.

Clinicamente, são frequentes os antecedentes tromboembólicos.

Na gravidez, são comuns óbito fetal, aborto recorrente, trombocitopenia e doença hipertensiva precoce e grave.

Dr. Barini salienta que “a SAF pode ser secundária à infecção pelo HIV, Lúpus e outras colagenoses e doenças auto-imunes, mas também pode ser primária”.


Tratamento

Voltado sempre para causa, quando identificada.

Controle do diabetes, do hipotireoidismo das doenças sexualmente transmissíveis, etc.

No caso da Síndrome do Anticorpo Anti-Fosfolipídico (SAAF), o tratamento consiste em controle clínico com antivoagulação profilática (associação entre AAS infantil e Heparina subcutânea desde antes da gravidez até o parto), quando a paciente não apresenta feômenos tormboembólicos prévios ou durante a gravidez.

Na presença destes, a paciente deve ser verdadeiramente anticoagulada com doses altas de heparina.  


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