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Transplante de cabelo: o custo não é o mais importante!


Muitos se questionam de quanto custa um transplante de cabelo. Entretanto, o custo não é o mais importante.

A escolha de um profissional especializado nas novas técnicas de transplante capilar acaba por fazer toda a diferença.

A Saúde na Internet publica a entrevista com o Dr. Mauro Speranzini, um dos grandes especialistas nessa área, no Brasil.


ENTREVISTA

1 - O transplante de cabelo é indicado para qualquer pessoa?
O pré-requisito para se submeter a um transplante de cabelo é ter uma área doadora compatível com as dimensões da área calva e as expectativas do paciente.
Nas pequenas calvícies a área doadora permite uma reparação total, enquanto que nas grandes calvícies o número de fios disponíveis pode ser insuficiente para uma cobertura total, mas suficiente para diminuir a calvície e atingir a expectativa de pessoas menos exigentes.

2 - O que é o transplante capilar feito com Unidades Foliculares?
Os fios nascem no couro cabeludo em grupos: três, dois e apenas um fio. Estes grupos são chamados de unidades foliculares.
O transplante capilar com unidades foliculares é o padrão atual. Os fios são transferidos para a área calva com a mesma disposição do local de origem e assim o resultado é o mais natural possível.
Nos primórdios da cirurgia capilar (décadas de 1950, 60, 70 e parte de 80) o procedimento era muito rudimentar e os fios eram transferidos em grupos de até 30 fios. Isso resultava em resultados artificiais, conhecidos como cabelo de boneca.

3 - É possível transplantar o cabelo de uma pessoa para outra?
Somente entre irmãos gêmeos idênticos. Neste caso, ambos teriam calvície androgenética e um deles teria que abrir mão da sua área doadora.
O transplante de cabelo de uma pessoa para outra não é possível sem testes de grande compatibilidade genética e sem o uso de drogas imunossupressoras. Por isso não são realizados.

4 - Como é feita a cirurgia?
A cirurgia é feita com anestesia local. Delimita-se a área receptora (área calva que receberá as unidades foliculares) e a área doadora (área nas regiões temporal e occipital – os chamados “paralamas”).
O fuso de couro cabeludo é retirado e imediatamente a região é suturada. A resultante é uma cicatriz linear através da qual alguns fios crescerão após alguns meses, tornando-a muito pouco aparente.
Na área receptora são criados orifícios (com agulhas ou micro-lâminas) em número que depende de diversos fatores: extensão da área calva, existência ou não de cabelo no local, densidade da área doadora, etc. Em cada orifício introduz-se uma unidade folicular.
Na linha anterior são utilizados unidades de apenas um fio. Posteriormente unidades com dois ou três fios. A operação dura de quatro a nove horas.

5 - O pós-operatório é tranquilo?
Na área receptora a maioria dos pacientes refere que não há dor.
Alguns pacientes referem alguma coceira após alguns dias. Na área doadora pode haver um incômodo ou dor, geralmente moderada e atenuada com analgésicos simples como Dipirona.
Quando se transplanta fios longos, deve-se evitar pentear o cabelo por 4 a 5 dias. Pode-se secar o cabelo com um secador e “ajeitar” o cabelo com as mãos.
O fio longo tem a grande vantagem de permitir o retorno ao convívio social sem que as pessoas percebam que houve uma cirurgia.
É recomendável evitar o sol diretamente no couro cabeludo por pelo menos um mês. Neste período é possível haver exposição ao sol, desde que se use um boné ou chapéu, por exemplo.

6 - Porque os fios transplantados não caem mais?
Os fios de cabelo têm um comportamento específico em cada região do corpo, que é definido pela genética. No couro cabeludo os fios também têm comportamentos distintos nas diferentes regiões.
Enquanto que os fios do alto da cabeça estão sujeitos a sofrer miniaturização, os fios das regiões temporal e occipital não sofrem essas alterações. Assim, os fios transplantados manterão as caracteísticas do local doador e não cairão com o tempo.

7 - Quanto tempo o paciente leva para voltar a sua rotina profissional, logo após a cirurgia?
É possível retornar a rotina profissional após um dia de operação. Enquanto que na técnica tradicional, que transplanta fios raspados, há sinais evidentes de cirurgia, na técnica do fio longo o retorno ao convívio social é possível sem que se perceba que houve uma cirurgia.

8 - O resultado é sempre bom? Em que condições os resultados são melhores ou piores?
Se a cirurgia for bem realizada o resultado é extremamente natural.
As condições mais favoráveis são: boa relação entre o tamanho das áreas doadora e receptora; baixo contraste entre a cor do cabelo e a cor do couro cabeludo; cabelo grosso; cabelo crespo; alta densidade da área doadora; boa elasticidade do couro cabeludo.

9 - O que é a técnica do Fio Longo? Quais as suas vantagens e benefícios para o paciente?
Tradicionalmente transplanta-se fios que são raspados ou deixados com apenas alguns milímetros de comprimento.
Com a técnica do fio longo os fios são transplantados com o comprimento em que se encontram na área doadora.
Seu maior benefício é dificultar a percepção de que houve uma cirurgia já ao final da operação, e principalmente nos primeiros dias de pós-operatório. Com isto muitos pacientes deixam de marcar a operação para o período de férias.
Outra vantagem é que se tem uma ideia de como será o resultado final no dia da operação.

10 - Se o Transplante Capilar permite resultados naturais, porque ainda vemos nas ruas, pessoas com um resultado estético ruim?
Como em qualquer atividade profissional a atualização e o interesse dependem do esforço individual. Muitos preferem fazer o que sempre fizeram. Não frequentam congressos, não leem as publicações da especialidade.
Muitas vezes sequer tem formação em cirurgia plástica ou em dermatologia e realizam procedimentos para os quais não tiveram qualquer treinamento.
O resultado obtido estigmatiza nossa profissão. Como os bons resultados passam despercebidos, infelizmente as pessoas só reconhecem os maus resultados.

11 - É verdade que usar boné ou capacete faz cair cabelo? E dormir com cabelo molhado? Raspar faz o cabelo crescer mais?
Estes são mitos muito difundidos. Boné e capacete não têm qualquer interferência na evolução natural da queda de cabelo.
Da mesma forma, dormir com cabelo molhado não provoca a queda. O cabelo é um tecido morto, como a unha. Cortá-lo com frequência ou raspá-lo não tem qualquer influência no crescimento dos fios.
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Publicado em: 01/03/2012. Última revisão: 29/10/2018
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Redação Saúde na Internet


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Dr. Mauro Speranzini Dr. Mauro Speranzini
Formou-se na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) em 1987. Especialista em Cirurgia Plástica no Hospital dos Defeitos da Face. Especialista na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, onde é Membro Titular. Mestre pelo Departamento de Cirurgia da FMUSP. Foi Médico Assistente do Hospital Pérola Byington no período de 1993 a 2008. É membro da American Society of Plastic Surgeons. Especialista graduado em Transplante Capilar e Cirurgia de Mama.

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