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Degenaração Macular Relacionada à Idade - DMRI


De acordo com o relatório As Condições de Saúde Ocular no Brasil, as três maiores causas de cegueira no mundo e no Brasil são doenças que acometem, sobretudo, idosos: a Catarata, o Glaucoma e a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

A DMRI é a causa mais comum de cegueira central irreversível no Ocidente.

Estima-se que esta doença afeta cerca de 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos da América e Europa e a expectativa é que o número de casos dobre nos próximos 20 anos, em virtude do envelhecimento populacional.

Seis a 10% da população entre 65 e 74 anos e de 19 a 30% da população acima de 75 anos são afetados, em alguma extensão, pela DMRI.

Calcula-se que aproximadamente três milhões de brasileiros acima de 65 anos sofram da doença em estágios variados de evolução.

Por isso, o trabalho publicado online na \"The Lancet\", divulgando resultados promissores do primeiro ensaio clínico a usar células-tronco embrionárias para o tratamento de doenças oculares em seres humanos, inclusive a DMRI, trouxe nova esperança para a comunidade médica.

O experimento foi realizado por médicos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e cientistas da empresa Advanced Cell Technology (ACT) em duas pacientes, sem qualquer uma delas tivessem sofrido qualquer efeito adverso de saúde.

A pesquisa, publicada no “Lancet”, é a primeira a reportar o uso dessas células, bastante controversas, em humanos, para qualquer fim.

A equipe da Universidade da Califórnia transplantou células especializadas da retina derivadas de células embrionárias humanas nos olhos de uma mulher de 50 anos com distrofia macular de Stargardt e uma mulher de 70 anos com degeneração macular relacionada à idade.

As duas pacientes receberam injeções em um dos olhos com cerca de 50 mil células do epitélio pigmentar da retina, tecido escuro que serve de suporte para as outras três camadas da retina.

As células injetadas foram derivadas de uma antiga linhagem de CTEs (células-tronco embrionárias).

As pacientes ainda receberam terapia imunossupressora leve para diminuir o risco de rejeição.

De qualquer forma, o olho é considerado uma região imunoprivilegiada, pois a chance de o corpo combater o tecido transplantado é menor.

No estudo, os médicos injetaram as células em um olho de cada paciente.

Exames de vista sugeriram uma melhora modesta na visão de ambas os pacientes.

A mulher com doença de Stargardt, por exemplo, deixou de ser capaz apenas de discernir os movimentos das mãos para conseguir visualizar o movimento de um único dedo.

A paciente com degeneração macular também mostrou alguma melhora após a terapia. Ela foi capaz de ler 21 das 28 letras dispostas em um teste de visão.

Nenhuma delas teve inflamação, o que indica que seu sistema imunológico não está atacando as células estranhas e também não há evidência de que um teratoma tenha se formado.

Este era um dos objetivos do ensaio clínico: determinar se as células implantadas causariam algum dano.

Depois de quatro meses de acompanhamento, não houve a formação de tumores, grande temor associado à terapia.

“Hoje, a lesão na mácula é a principal causa de perda irreversível da visão em pessoas com mais de 55 anos, no ocidente. Por isso, ficamos animados com os resultados deste estudo. O artigo é preliminar, com apenas 2 pacientes tratados e com curto período de acompanhamento, porém os resultados são impressionantes, especialmente se considerarmos  a natureza progressiva das duas doenças. O trabalho mantém a esperança de médicos e pacientes que trabalhos futuros com essa forma de tratamento possam trazer resultados ainda mais efetivos e seguros para os portadores dessa grave e prevalente doença ocular, assim como de outras doenças degenerativas”, afirma o oftalmologista Renato Braz, do Hospital de Olhos Inob.


Enquanto a cura não está disponível, o melhor caminho é a detecção precoce.

\"A visita anual ao oftalmologista é a única forma de se verificar, em estágio inicial, possíveis alterações que venham a comprometer a visão e, conseqüentemente, a qualidade de vida. Pacientes que possuem histórico familiar de DMRI devem redobrar a atenção. Outras medidas importantes são: não fumar, manter-se dentro do peso considerável saudável, monitorar a pressão arterial e utilizar óculos escuros com bom filtro ultravioleta\", conclui Dr. Renato.
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Publicado em: 20/03/2012. Última revisão: 10/01/2018
 COLABORADORES 

Tríplice Comunicação - Paulo Almeida
todos artigos publicados

Dr. Renato Braz Dias Dr. Renato Braz Dias é oftalmologista do Hospital de Olhos Inob
todos artigos publicados

 PARA SABER MAIS 
As Condições de Saúde Ocular no Brasil
Conselho Brasileiro de Oftalmologia (2009)
The Lancet, janeiro 2012