Saude na Internet    Desde 1998

início > Saúde do jovem > Casais estáveis

Casais estáveis


As vezes não é fácil manter o relacionamento de um casal, frequentemente surgem conflitos e é quase impossível evitar as brigas.

Entretanto, dependendo da maturidade da relação, a harmonia pode ser alcançada.

Não raramente vemos casais que brigam e terminam sua relação e, dias ou semanas depois, decidem reatar, podendo manter-se nesse ciclo por meses, e as vezes, anos a fio.

Talvez brigar não seja problema algum, mas as pessoas que buscam a harmonia, tentam evitar esse tipo de discussão.

Muitas vezes, exagera-se nesse sentido, evitando os conflitos a todo o custo, tendência que cria uma aparente tranquilidade, podendo semear as origens de um novo terremoto.

Segundo a psicóloga chilena, da Universidade de Santiago (USACH), especializada em terapia de casais, Patricia Soto, os problemas na relação começam quando tenta-se mudar o outro.

Se isso ocorre, perde-se a capacidade de escutar o que é dito e interpretam-se as palavras conforme aquilo que se deseja ouvir.


Como enfrentar os conflitos?

A especialista explica que, “a chegada ao encontro passa pelo desencontro”.

Por isso, uma briga não deve ser tomada como um rompimento, mas sim uma oportunidade para enfrentar pontos de vista diferentes para seguir com um projeto em comum.


O desenvolvimento pessoal

Mesmo que não exista uma receita para manter uma relação estável, existem certos fatores pessoais que propiciam os vínculos mais harmoniosos e com menor tendência de naufrágio.

A ideia básica é de que algumas relações estáveis estão ligadas, principalmente, a um desenvolvimento pessoal que pouco tem a ver com a idade.

A especialista explica que, quando uma pessoa conhece melhor seus desejos, seus projetos, suas potencialidades e suas fraquezas, está mais apta a encontrar aquilo que busca, resultando em menos conflitos entre suas expectativas e a realidade.

O auto-conhecimento e o desenvolvimento da auto-estima, produzem ainda uma maior consciência do que se deseja e um contato com a realidade.

Quando se chega a esse ponto, ocorre o primeiro encontro com ele(a) mesmo(a) e prepara-se o terreno para aceitar o outro.

Dessa maneira, a união se fortalece e as pessoas deixam de sentir a constante ameaça de que a relação acabará.

Viver com esse medo é um sintoma de que o equilíbrio não encontra-se presente no casal.


A Comunicação entre o casal

O ideal, na relação de um casal, é que nenhum dos dois tenha medo de mostrar seu lado mais “obscuro”. Assim, o outro converte-se na maneira ideal de integrar o que mais rejeitamos em nós mesmos.

Quando ocorrem essas mudanças, pode-se adotar atitudes mais livres, assume-se o casal ao invés de desqualificá-lo e perde-se a sensação de que a relação está constantemente ameaçada pela ruptura.

Nesse estágio, a comunicação do casal chega a um nível mais próximo: existe uma maior honestidade dos sentimentos, expressando mais claramente o que se sente, sem a necessidade de agredir.

Além do mais, a conversação ocorre “no tempo adequado”, ou seja, não se espera até que a raiva esteja acumulada ou algum evento – como o nascimento de um filho – ocorra para se expressar.

A estabilidade da relação passa, também, por conhecer o que outro deseja de nós e saber se somos capaz de corresponder a essas expectativas.


Enfrentar ou iludir?

Para reconhecer quando uma relação pode estar enfrentando problemas – mesmo sem manifestar sintomas visíveis – pode-se prestar atenção na forma como o casal se relaciona.

As vezes, uma imagem de harmonia pode indicar a ideia de que o equilíbrio ocorre pela ausência de conflitos.

Em alguns casos, pode existir um temor em enfrentar obstáculos e, por isso, evita-se qualquer situação que possa parecer desagradável.

Um casal que vai pelo caminho correto atreve-se a enfrentar os problemas. Para eles, as brigas não significa, uma quebra de relação, mas sim uma oportunidade para conversar sobre algo que estava incomodando.
PUBLICIDADE


PUBLICIDADE

Publicado em: 03/02/2001. Última revisão: 13/09/2018
 COLABORADORES 

Jornalista Miguel Valdívia - especial para a Saúde na Internet


Patrícia Soto, psicóloga da Universidade de Santiago do Chile Santiago (USACH), especialista em terapia de casais
todos artigos publicados